Os aplicativos de delivery ampliaram as possibilidades de venda para restaurantes, supermercados, farmácias e diferentes negócios do varejo. Mas, conforme esse canal ganha relevância, cresce também a necessidade de uma gestão financeira de delivery para entender o que acontece depois que um pedido é realizado.
Entre o pedido do produto e o repasse financeiro podem existir taxas, promoções, cancelamentos, vouchers, estornos e outros ajustes que alteram o valor final recebido pelo estabelecimento.
E são nesses momentos que surgem pontos importantes: qual valor deve ser recebido, quais são as taxas aplicadas a venda, quem será responsável financeiro pelo cancelamento do pedido e demais dúvidas relacionadas à jornada financeira do delivery.
Neste artigo, você vai saber o que é a a gestão financeira de delivery, quais os desafios dos principais segmentos do varejo e como a tecnologia pode tornar esse tipo de gestão mais eficiente.
O que é gestão financeira de delivery?
A gestão financeira de delivery é o acompanhamento e controle dos eventos financeiros que ocorrem entre a realização de um pedido e o repasse do dinheiro ao estabelecimento. Essa estratégia oferece visibilidade as empresas e ajuda o setor financeiro a entender como taxas, promoções, cancelamentos, estornos e outros ajustes impactam o valor líquido recebido, por exemplo:

O objetivo da gestão financeira de delivery não é apenas saber quanto entrou na conta, mas entender como o valor repassado foi formado. Para isso, é preciso organizar dados que muitas vezes estão distribuídos em diferentes fontes. Essa prática é fundamental para dar mais precisão às análises de margem, fluxo de caixa e rentabilidade do canal.
É nesse ponto que a gestão dos recebimentos do delivery ganha relevância. Antes de analisar o resultado do canal, é preciso entender o dinheiro que chegou até ele.
Como a tecnologia pode apoiar a gestão financeira de delivery?
A tecnologia ajuda a reduzir a distância entre ter os dados e conseguir utilizá-los para tomar decisões. Ao conectar os eventos da operação, torna-se possível construir uma visão mais completa da trajetória entre a venda e o recebimento.
Na prática, isso pode apoiar:
- centralização das informações financeiras;
- acompanhamento de pedidos e repasses;
- leitura dos impactos de taxas, promoções e cancelamentos;
- identificação de divergências;
- consolidação de diferentes operações;
- maior rastreabilidade dos recebimentos.
O ganho não está apenas em automatizar tarefas. Está em reduzir o tempo necessário para reconstruir informações e permitir que o financeiro dedique mais atenção à análise.
Quem são os principais apps de delivery no Brasil?
Para empresas que estruturam sua gestão financeira de delivery, o iFood é hoje uma das principais referências em escala e presença nacional, atendendo diferentes categorias, como restaurantes, mercados, farmácias e outros estabelecimentos.
O mercado brasileiro também conta com plataformas como Rappi e 99Food, além da expansão recente de novos concorrentes, como a Keeta, aumentando as possibilidades de uma empresa operar em mais de um canal de delivery.
Para o financeiro, essa multiplicidade adiciona uma camada de complexidade: um mesmo estabelecimento pode ter diferentes regras de taxas, promoções, pagamentos e repasses dependendo do aplicativo utilizado.
Como funciona a gestão financeira das vendas em apps de delivery?
Cada plataforma estabelece regras próprias para comissão, processamento de pagamentos, logística e repasses. Além disso, os valores podem variar conforme plano, região, modalidade de entrega, campanhas e negociações comerciais. Por isso, a gestão financeira de delivery precisa considerar as condições de cada canal individualmente antes de consolidar o resultado da operação.
iFood
O Plano Básico informa comissão de 12% e taxa de 3,2% para pedidos pagos via iFood, além de mensalidade de R$ 110 quando o faturamento mensal ultrapassa R$ 1.800. No Plano Entrega, a comissão sobe para 23%, com a mesma taxa de 3,2% para pagamento pela plataforma e mensalidade de R$ 150 acima desse faturamento.
Os repasses são organizados em períodos de sete dias e, no fluxo padrão, podem ocorrer em até quatro semanas.
99Food
A página pública de adesão atualmente apresenta comissão de 8,9% na modalidade com entrega da 99 e 10,9% para entrega própria, além de 3,2% de taxa de administrativa quando o pagamento acontece dentro da plataforma.
A empresa informa mensalidade de R$ 0 e taxa de saque semanal de 0%. Na modalidade em que a 99 realiza a entrega, há ainda custos logísticos calculados de acordo com a quilometragem; na entrega própria, esse custo não é aplicado da mesma forma.
Essas condições mostram como uma mesma plataforma pode gerar composições financeiras distintas conforme o modelo logístico adotado.
Rappi
A plataforma divulga duas estruturas. Na opção em que o estabelecimento realiza a própria entrega, informa taxa de adesão de R$ 40 e cobrança de 3,5% por transação de crédito. Já na modalidade em que a entrega é realizada pela Rappi, a taxa de adesão é de R$ 150, parcelável em até 10x, e a taxa sobre cada venda é de 27%.
Rappi também informa que pedidos realizados até o dia 15 têm repasse previsto para o dia 8 do mês seguinte, enquanto os da segunda quinzena são repassados no dia 23 do mês seguinte.
Keeta
Ao contrário das demais plataformas, a Keeta não divulga atualmente uma tabela pública fixa com o percentual de comissão no Brasil. A própria empresa afirma trabalhar com comissões 3% abaixo da média do mercado, mas o valor final depende das condições comerciais negociadas com cada parceiro.
Na operação brasileira, a Keeta também informa frete grátis em mais de 90% dos restaurantes em determinadas ações, com o custo da entrega dividido entre a plataforma e o estabelecimento outro componente que precisa ser considerado na leitura financeira da venda.
Essas diferenças mostram por que a gestão não deve olhar apenas para o valor vendido. É preciso acompanhar qual regra foi aplicada, quanto deveria ser recebido, quando o repasse está previsto e quanto efetivamente entrou, evitando que condições contratuais sejam confundidas com divergências financeiras.
Quais as variáveis que você pode encontrar na gestão financeira de delivery?
Na gestão financeira de delivery, o valor de uma venda pode passar por diferentes movimentações antes de chegue a conta bancária do estabelecimento. Acompanhar essas variáveis é essencial para entender o valor líquido das vendas, identificar divergências e ter mais segurança sobre os recebíveis gerados pelos apps de delivery.
Taxas nos apps de delivery
As taxas têm impacto direto sobre o valor líquido recebido e podem variar conforme plataforma, plano contratado, modelo de entrega e condições comerciais.
No iFood, por exemplo, os planos públicos para restaurantes indicam comissão de 12% no Plano Básico e 23% no Plano Entrega, além de taxa de 3,2% para pedidos pagos pela plataforma. Esses percentuais servem como referência, mas não representam uma média única de mercado, já que as condições podem variar por operação e contrato.
Na prática, o desafio da gestão financeira de delivery é garantir que as taxas aplicadas estejam de acordo com o previsto e entender quanto elas representam no valor final recebido. Sem esse acompanhamento, diferenças de percentual ou cobranças inesperadas podem passar despercebidas no fechamento.
Promoções e vouchers
Promoções fazem parte da dinâmica dos apps de delivery, mas nem sempre o desconto concedido é integralmente responsabilidade do estabelecimento. Dependendo da campanha, o benefício pode ser financiado pela loja, subsidiado pela plataforma ou dividido entre as partes.
Por isso, o financeiro precisa identificar quem financiou a promoção e qual foi seu impacto real sobre o recebimento.
Outro ponto de atenção são os vouchers e benefícios, como vale-refeição e vale-alimentação. Os aplicativos podem funcionar como canal para essas formas de pagamento, enquanto a liquidação segue regras próprias das bandeiras e contratos envolvidos.
Quando uma mesma operação aparece no app, no ERP e em outras fontes financeiras, a falta de controle pode gerar registros duplicados ou dificultar a identificação correta do recebível. Acompanhar essas movimentações ajuda a evitar distorções na conciliação e no fechamento.
Cancelamentos
Cancelamentos também podem alterar o valor esperado de uma venda, mas o impacto financeiro nem sempre recai sobre a mesma parte.
A responsabilidade pode variar conforme o motivo do cancelamento, o momento em que ele ocorreu, quem realizou a entrega e as regras da plataforma. Existem situações em que o estabelecimento pode ser ressarcido e outras em que o impacto permanece na operação.
Para a gestão financeira de delivery, o ponto central é conseguir relacionar o cancelamento ao pedido correspondente e identificar quem assumiu o impacto financeiro e como ele apareceu no repasse. Sem essa rastreabilidade, uma diferença pode surgir no fechamento sem que sua origem fique clara.
Estornos e outros ajustes
Erros no pedido, problemas de entrega, cancelamentos ou ajustes posteriores também podem gerar estornos e reembolsos.
Essas movimentações podem acontecer depois que a venda já foi registrada, alterando o valor que o estabelecimento esperava receber. Por isso, precisam ser acompanhadas até sua conclusão e vinculadas ao pedido que lhes deu origem.
Sem esse acompanhamento, o financeiro pode encontrar um valor diferente no repasse sem conseguir identificar rapidamente qual evento provocou a alteração.
Repasse
É nessa etapa que todas essas variáveis se consolidam.
Taxas, promoções, vouchers, cancelamentos, estornos e demais ajustes formam o valor que efetivamente será recebido. Por isso, uma gestão financeira de delivery estruturada não deve responder apenas “quanto recebemos?”, mas também:
“Esse valor corresponde ao que deveríamos receber considerando tudo o que aconteceu com os pedidos?”
Quando essa resposta está clara, o repasse deixa de ser apenas um valor recebido e passa a ser um resultado financeiro que pode ser explicado, acompanhado e auditado.
Como identificar divergências nos repasses do delivery?
Para identificar divergências nos repasses do delivery, o primeiro passo é calcular quanto deveria ter sido recebido e comparar esse valor com o repasse realizado. Esse cálculo precisa considerar todos os eventos que impactaram a venda, como taxas, promoções, cancelamentos, estornos e ajustes.
De maneira simplificada:
Valor da venda
– taxas
± promoções e ajustes
– impactos de cancelamentos e estornos
= valor esperado
Depois, esse resultado pode ser comparado ao valor efetivamente repassado.
O problema aparece quando cada informação precisa ser encontrada em uma fonte diferente. Quanto mais fragmentados estiverem os dados, maior tende a ser o esforço necessário para explicar uma diferença.
O que uma boa gestão financeira de delivery precisa entregar?
Mais dados não significa necessariamente ter mais controle. Para que as informações contribuam efetivamente para a gestão, elas precisam gerar algumas entregas essenciais:
Visibilidade
Enxergar o que aconteceu durante toda a jornada financeira, e não apenas o valor final do repasse.
Entendimento
Compreender por que determinado valor foi recebido e quais eventos participaram de sua composição.
Controle
Acompanhar recebimentos, localizar diferenças e investigar suas causas com mais segurança.
Previsibilidade
Ter uma leitura mais clara dos valores esperados e dos fatores que podem alterá-los.
Escalabilidade
Manter o controle financeiro mesmo conforme aumentam pedidos, unidades e CNPJs.
O valor da gestão está em transformar dados dispersos em informação financeira compreensível, que possa apoiar controle, auditoria e tomada de decisão.
Planeje a gestão financeira de delivery na prática
Uma gestão financeira de delivery estruturada depende de informações organizadas, eventos rastreáveis e comparação consistente entre o que foi vendido, o que deveria ser recebido e o que efetivamente foi repassado. Algumas etapas ajudam a transformar esse acompanhamento em um processo mais claro e recorrente.
- 1. Organize as informações da operação
Mapeie onde estão pedidos, taxas, promoções, cancelamentos, ajustes e repasses. - 2. Relacione os eventos às vendas
Associe cada movimentação ao pedido ou conjunto de pedidos correspondente. - 3. Determine o valor esperado
Considere os eventos que impactaram a venda para chegar ao valor líquido que deveria ser recebido. - 4. Confira o repasse
Compare o valor esperado com o que efetivamente foi pago. - 5. Investigue divergências
Identifique a origem das diferenças antes do fechamento financeiro. - 6. Consolide a visão da operação
Reúna os resultados por loja ou CNPJ e mantenha também uma visão consolidada do canal.
Com essas etapas, a conferência de repasses deixa de ser uma investigação pontual e passa a fazer parte de uma gestão financeira mais estruturada, rastreável e preparada para acompanhar o crescimento da operação.
Quais segmentos atuam com desafios na gestão financeira de delivery ?
Os fundamentos são semelhantes, mas os desafios ganham características diferentes conforme o segmento.
Redes de farmácias podem operar com múltiplas lojas e CNPJs e manter um fluxo contínuo de pedidos. Nesse cenário, acompanhar os recebimentos por unidade e dar mais clareza ao fechamento financeiro mensal ganha relevância.
Em supermercados e atacadistas alimentícios, o volume de pedidos pode tornar mais complexa a leitura de taxas, promoções, cancelamentos e repasses. Entender como esses eventos influenciam o valor líquido facilita a conferência financeira da operação.
No food service, a rotina é intensa e a atenção está fortemente voltada para execução, atendimento e continuidade da operação. Ao mesmo tempo, ter previsibilidade sobre os recebimentos é importante para acompanhar rentabilidade e sustentar o crescimento.
Gestão financeira de delivery é entender o que acontece do pedido ao repasse
Neste artigo, vimos que a gestão financeira de delivery envolve muito mais do que acompanhar o valor recebido. Ela passa por entender as regras de cada plataforma, acompanhar taxas, promoções, cancelamentos, ajustes e repasses, além de identificar divergências e organizar essas informações de forma rastreável para dar mais segurança ao fechamento financeiro. Texto colado
Quando essa gestão é estruturada, o financeiro ganha mais visibilidade, entendimento, controle e previsibilidade sobre a operação. É justamente essa leitura mais clara da jornada financeira que a Gestão Financeira de Delivery do view busca entregar.