Open Banking: fique por dentro dessa novidade no mundo financeiro

Open Banking: fique por dentro dessa novidade no mundo financeiro

Imagine a seguinte situação: você, há anos, tem conta em determinado banco, logo toda a sua vida financeira está salva lá. Mas, em determinado momento, você opta por solicitar um empréstimo em outro banco, porque as taxas dele são mais atrativas. Só que existe uma barreira no meio desse caminho, pois o banco visado não tem acesso ao seu histórico financeiro.

Dessa forma, ele terá que buscar meios para aferir se você é ou não um bom pagador, o que pode demorar a aprovação da sua solicitação. Esse cenário tende a mudar com a implantação do Open Banking, efetivamente em operação no país desde o dia 1º de fevereiro.

Continue lendo este post e entenda esse assunto.

O que é Open Banking

“Open Banking”, do inglês, significa ‘banco aberto’, que é a principal premissa de novo conceito do ecossistema financeiro brasileiro.

Ele define um conjunto de normas e ferramentas que permitirão o compartilhamento de informações de clientes entre instituições financeiras por meio da integração dos seus sistemas.

Na prática, os dados financeiros do cliente deixam de ser de propriedade dos bancos e passam a ser, de fato, dos clientes, o que confere maior transparência sobre tais informações, maior autonomia à vida financeira de cada um e, por fim, maior competividade entre as instituições.

Dessa forma, as empresas que tiverem poder sobre informações dos clientes (tanto Pessoa Física quanto Pessoa Jurídica) deverão compartilhá-las com outras empresas, desde seja dada a permissão por parte dos usuários.

Essa permissão será concedida pelos clientes diretamente com o banco, quando eles quiserem, por meio dos canais de comunicação já existentes.

Quem deve aderir

No Brasil, o open banking será regulado pelo Banco Central do Brasil, que supervisionará as transações e punirá aquelas empresas que estiverem atuando fora das diretrizes implementadas, que pode ir desde a aplicação de multas à sua liquidação.

Devem participar do Open Banking instituições financeiras que já têm relação com o Banco Central. No entanto, há algumas diferenças entre cada grupo.

São obrigadas a participar as empresas classificadas pelo Bacen como S1 (porte igual ou superior a 10% do PIB ou com relevante atuação fora do país) e S2 (porte entre 1% e 10% do PIB nacional).

Nesse caso, entram, principalmente, os grandes bancos tradicionais, como Caixa, Banco do Brasil, Itaú, Santander, Bradesco etc.

As demais companhias, como instituições de pagamento e fintechs, a exemplo de Nubank, AME, PicPay, Mercado Pago, têm a adesão voluntária, ou seja, a opção de participar ou não do ecossistema.

Para saber mais: O Portal Open Banking Brasil disponibiliza uma lista com as instituições financeiras participantes. Confira!

O compartilhamento dos dados dos clientes deve ficar disponível por 12 meses. Após isso, eles devem dar o consentimento novamente.

Essa circulação de informações está assegurada pela Lei Complementar n° 105/2001, do Sigilo Bancário, que proíbe a cessão de informações de clientes para outras instituições que não estejam dentro da política de Open Banking.

Vale citar também a Lei Geral de Proteção de Dados, instrumento que define a forma como as empresas devem lidar com informações pessoais de clientes e pontos de contato.

Entenda as fases do Open Banking

Toda mudança no relacionamento entre clientes e empresas não vai ocorrer da noite para o dia. No Brasil, o Open Banking passará por algumas fases até que tudo seja, de fato, concluído.

1ª fase: Teve início no dia 1º de fevereiro de 2021. Nesse momento, as instituições financeiras devem compartilhar entre si informações sobre produtos, serviços e taxas praticadas. O cliente final ainda não é impactado por essa abertura;

2ª fase: Previsão de início em 15 de julho ainda deste ano. Os clientes já podem começar a autorizar que as empresas com as quais se relacionam compartilhem dados cadastrais, como nome, CPF/CNPJ, telefone, e-mail, e informações relativas a transações bancárias;

3ª fase: Previsão de início em 30 de agosto.  Usuários poderão começar a fazer pagamentos em ambientes fora dos domicílios bancários, como aplicativos de mensagens. Os bancos darão início ao compartilhamento do histórico de transações dos clientes, desde que a partir do seu consentimento.

4ª fase: Previsão de início em 15 de dezembro. A partir de então, já será possível as instituições financeiras compartilharem dados mais delicados dos seus clientes, como operações de câmbio, investimentos, seguros, previdência, entre outros produtos e serviços.

Na prática, como será?

Como já comentamos, o cliente terá total controle sobre o que bancos poderão acessar. De forma prática, funcionará da seguinte forma:

Se um cliente, correntista de determinado banco, quer um serviço ou produto de outro banco, logo precisará compartilhar seus dados, ele deve dar o start no processo de compartilhamento com o banco receptor, ou seja, aquele que vai receber os dados.

Feito isso, o banco receptor vai avisar ao banco cedente que precisa desses dados, aprovados previamente pelo cliente. Em seguida, este vai confirmar a informação de compartilhamento. Validado o consentimento, a transmissão das informações é iniciada.

Tudo isso poderá ser feito diretamente pelos aplicativos dos bancos, tanto a solicitação quanto o acompanhamento e a aprovação.

Com esse novo modelo de relacionamento, haverá uma mudança no comportamento do consumidor e na forma como ele se relaciona com as empresas do setor financeiro. Isso porque, como eles estarão de posse de seu histórico financeiro, ficará muito mais fácil abrir contas e solicitar novas requisições em instituições diferentes.

Além disso, como as empresas passarão a ter a noção de que não têm mais seus clientes presos a elas, deverão rever a forma como constroem esse relacionamento, que vai desde as tratativas no dia a dia à oferta de soluções.

Em resumo, podemos citar como benefícios do Open Banking

  • Redução de tarifas bancárias;
  • Melhor experiência do consumidor;
  • Maior competição entre instituições financeiras;
  • Maior controle do cliente sobre sua vida financeira;
  • Condições mais vantajosas para captação de crédito e similares;
  • Oferta de produtos e serviços financeiros mais atrativos para o consumidor;
  • Centralização das informações para quem tem contas ou empréstimos pendentes em bancos diferentes.

No dia a dia, o que muda com o Open Banking

Muitas mudanças estão por vir. As empresas que oferecerem uma melhor experiência ao cliente sairão na frente. Hoje, essa balança é desregulada. Os bancos tradicionais, por exemplo, contam com mais serviço a oferecer, mas a experiência do cliente, no geral, não é tão agradável.

Por sua vez, as fintechs se diferenciam desses bancos justamente por promoverem um relacionamento mais humanizado, ágil e resolutivo, no entanto contam com um leque menor de serviços.

Dessa forma, a expectativa é que se essas empresas se transformem justamente para promover a equiparação entre oferta de serviços e experiência. Para o Bacen, isso significaria a “inclusão e educação financeiras da população”.

Além disso, o Bacen espera também que novas políticas de crédito sejam criadas, bem como ofertas de serviço mais adequadas aos diversos perfis de consumidores.

Vale citar também o desenvolvimento de novos modelos de negócios pensados para otimizar a relação da sociedade com o dinheiro, como: compradores de serviços e tarifas; aplicativos de aconselhamento financeiro e planejamento familiar; pagamentos via mídias sociais; marketplace de crédito.

2021 deverá ser o ano da maturação de muita coisa que foi implantada ou potencializada ao longo de 2020. O Pix, por exemplo, já foi um desses movimentos de disrupção do mercado financeiro. O Open Banking é mais um elemento que se soma a isso.

E por falar em Pix, se você quiser entender mais desse meio de pagamento, como também das outras soluções que evoluíram nos últimos anos, confira nosso e-book “Mundo Financeiro de 2021”.

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